domingo, maio 24, 2009

Não Sabemos Se Há Mais Alguém Que Exponha Cromos Do Fafe Na I Divisão…

… mas se houver, com certeza que não estará a passar um bom bocado e, com alguma sorte, já deve estar a caminho das urgências de um hospital qualquer, onde será bem tratadinho com uma daquelas camisinhas brancas com umas fivelas e uns braços muito compridos que se aconchegam muito bem ao corpo.

Por isso, resolvemos fazer História. E como se faz História? É muito simples - é só fazer isto:

E pronto, já fizemos História, prestando homenagem à História, revelando o que hoje parece impensável, mas que aconteceu realmente há coisa de vinte anos atrás. É muito fácil e recomendamos vivamente para que experimentem fazer História também nas vossas casas, afastando em primeiro lugar todos os móveis para não haver chatices.

Mas depois disseram-nos “eh pá, isso só não basta, queremos discutir alguns casos particulares” e nós dissemos-lhes “devem estar a brincar, hoje é o Domingo em que acaba o campeonato e a nossa vida não é esta” e eles responderam-nos “vá lá, façam-nos esse Saganowski” e nós a insistir “não, nem por dois Basaúlas” e eles “vá lá, só um Pingo” e nós “então está bem, mas só desta vez”.
Então fiquem lá com o Grosso. Não é o Fábio italiano, mas o portuguesíssimo Grosso. Grosso foi um dos mistérios mais bem guardados do futebol português. À primeira vista, parece um central anónimo, igual a tantos outros Lemos dos nossos relvados. Mas depois de uma análise um pouco mais cuidada, ou seja, lendo bem o nome dele, ficamos logo com uma série de dúvidas. Ou melhor, apenas com uma: que raio, porque é que ele era (e é) Grosso?
Várias hipóteses se arremessaram para cima da mesa, derrubando o pires de tremoços e fazendo tremer a mini, criando aquela espuma incómoda que sabe mal:


- Seria pelo facto de ser um tipo assim a atirar para o gordo? Não parece, o Grosso até tem um aspecto elegante;
- Seria pelo facto de ser um tipo de maneiras rudes, pontapé para o quintal e cuspidelas na cara do avançado? Não cremos, porque temos a ideia que Grosso era um central de fino recorte;
- Seria pelo facto de ter um vozeirão tipo trovão que impõe respeito a um pelotão de fuzileiros? Não se nos afigura como provável, dado que Grosso possuía uma voz ali entre o Ricardo com cólicas e o Popas da Rua Sésamo;
- Seria pelo facto de granjear imenso respeito no(s) seio(s) da comunidade feminina, que dizia à boca cheia “aquele gajo… eh pá, aquele gajo é muita grosso! Ui, qual Tom Cruise qual quê, aquele central é que é mesmo grosso”! Pode ser, quem sabe, vá lá alguém entender as mulheres;
- Seria pelo facto de possuir alguma parte corporal um pouco mais robusta que a maioria dos mortais? Estou a pensar numa protuberância corporal qualquer, sei lá… por exemplo, o nariz. Pois, o nariz. Seria que era pelo facto de ter o nariz grosso? E, conjugando esta hipótese com a anterior, seria isso que levava as mulheres ao delírio? Quem diz o nariz diz as pernas ou outra coisa qualquer, é preciso é imaginação.


Ninguém sabe a resposta ao certo. Grosso ainda hoje é um grande ponto de interrogação e tema tabu nas tertúlias fafenses, que omitem voluntariamente o dossier Grosso dos seus convívios. Fala-se em Grosso e as pessoas começam a tossir, voltam as costas, fecham-se as portas e as janelas, ninguém sabe nada, ninguém viu nada, é um verdadeiro pacto de silêncio que impede esta questão de ser resolvida a contento.

E como somos uns tipos que até nos achamos porreiros, decidimos presentear a nossa fiel massa associativa com mais dois brindes que certamente lhe encherão as medidas: dois bigodes do antigamente, dois orgulhosos registos de virilidade desportiva.
Então com licença e cá vai um José Albano:

Não é preciso dizer muito, só acrescentar que este foi um goleador do povo, o pão que encheu as bocas das equipas secundárias e que viveu uma relação conturbada com o estrelato, sentindo-se apenas um verdadeiro peixe nas águas inquinadas desse grande pântano que era a II Divisão. Definindo José Albano em termos musicais, podemos dizer que ele nunca foi artista para os grandes palcos mas sim o indie rocker definitivo, aquele que sempre gravou álbuns magistrais em estúdios obscuros e por quantias irrisórias.

Para finalizar, desviem aí os cotovelos, arranjem só mais um espacinho para colocar este Quim:

Bem, aqui nem é preciso dizer nada. Chama-se Quim e ostenta um garboso bigode. Agora já sabem quem foi a verdadeira musa do Quim Barreiros.

Já todos vimos bicicletas a andar em cima de porcos. É banal. Agora podem dizer que já viram cromos do Fafe na I Divisão. Isto sim, já é qualquer coisa.

sexta-feira, maio 22, 2009

Bafode Watch - Abril


Estou bafodido de facto.. porque Bafode Carvalho lesionou-se neste fim de época.. juntando-se assim a Mantorras nas 1000 corridas que já deu à volta do relvado.
Em Abril, Bafode despediu-se desta época, ao actuar pela primeira vez como titular!!!

Foi a 5 de Abril, contra o Gondomar, na terra do Major Valentim. Agora vemos Bafode Carvalho a sair de jogo e não a entrar aos 75/80 minutos. Saiu aos 65, no jogo em que o Gondomar bateu o Estoril por 3-0!! A lesão traiu a recuperação no resultado com a ajuda de Bafode do Carvalho.

A partir desse momento, Estoril não teve mais Praia, o Estádio não teve mais Amoreira, e o Amarelo e Azul passou a verde e lilás...

Boa sorte Bafode para a próxima época.
We will be watching youuu!!!!

quinta-feira, maio 21, 2009

Pollnito


Após 236 votos de amantes da bola e/ou cibernautas confusos, a comissão de Cromos da Bola, SAD decidiu fechar a Pollga para lateral-esquerdo.
A bem da democracia blogosférica, aproveitámos ainda a reunião para aumentar os ordenados da administração em 125% e proibir rissóis de camarão em futuras confraternizações.

Assim, e sem mais delongas, apresentamo-vos a nova contratação do nosso desajeitado plantel: o anti-camaleónico Nito, Rei das Cadernetas Panini da década transacta.


Damos desta forma as boas vindas ao macambúzio lateral e ao seu habitual esgar de desprezo pela humanidade em geral, e pelos vendedores de pipocas em particular.

Para trás ficaram símbolos do calibre de Escalona, essa cartolina vermelha com duas pernas e um penteado sul-americano, bem como Quim Berto e Rojas, terceiros classificados ex-acquo. Uma plétora canhota de inutilidade deslizante sobre o verde quadrângulo, qual lodo representativo de uma mistela sem talento.

Porém, estamos felizes. Esta nova aquisição traz velocidade, acutilância, desprezo, e uma imutável expressão facial ao flanco esquerdo da equipa, onde o rústico bombardeiro Formoso já pode contar com uma muleta de eleição.

E a Nito, amigo, novo camarada, irmão de armas e sorrisos a meia haste, agradecemos-te: um Bem-Haja pela muleta.

quinta-feira, maio 14, 2009

Chamar a Música, Parte I

O futebol é viveiro das mais variadas estirpes cromáticas, dando a conhecer ao Mundo características de determinadas personalidades que de outra forma estariam enterradas debaixo de uma pedra.
Exemplos há aos pontapés, desde às extraordinárias capacidades de actor de Luís Figo, ao sucesso de João Moutinho como empresário, até às revelações de Romicha e Chipenda como poetas, ou de Petar Mitharski como estofador de reconhecido gabarito.

Porém, estamos aqui hoje para falar de música. A música, tal como um drible de Ali El Omari, existe para nos ofertar momentos de êxtase, para nos reconfortar, envolver num doce abraço ou mesmo como forma de dar a volta à cabeça de uma jovem fêmea, embalada pelo canto romântico de um qualquer Clemente. Há mesmo quem diga que o canto musical é uma forma de engate mais eficaz que a cerveja ou que o visionamento do Sérgio Lavos a projectar muco para o relvado num Domingo à tarde.

Como tal, apresentamo-vos os futebolistas mais melódicos do panorama cromístico nacional, e suas infames desventuras no Mundo da K7 pirata e maxi-single da feira.

Respeitando a venerada ordem cronológica, iniciamos a nossa demanda por Itália, carismático País de inusitada formosura arquitectónica, de saboroso arrojo gastronómico e de Emanuele Pesaresi.

Corria o ano de 1981 (ainda faltavam 9 para o nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) e na localidade de Avellino brilhava intensamente um diminuto avançado brasileiro, explosivo no arranque e de sorriso fácil no rosto. Dava pelo nome de Juary Filho e iria um dia escrever pela sua pena uma bela página do futebol europeu e mundial.

Mas primeiro, o cataclismo.





















Famoso pelos números de samba que realizava em torno das bandeirolas de canto depois de molhar o feijão na tapioca, o veloz Jotinha cultivou uma pequena horde de fãs. Um deles teve a infeliz ideia de lhe dar um microfone para a mão direita, uma pandeireta para a mão esquerda, e um artista gráfico presumivelmente amblíope para desenhar (?) este quadradinho de prazer que aqui vêem.
Juntem-lhe uma fotografia representativa de um Juary a berrar aos sete ventos "Tenho prisão de ventre!", e temos a receita macabra que resultou em "Sará Cosi", álbum também conhecido como "a primeira incursão do samba italiano pelas amargas vielas da depressão profunda".

Podem adquiri-lo por 15€ no Ebay. Eu não esperava nem mais um segundo, mas cada um sabe de si.

Linda de Suza não ficou famosa pelos seus dotes futebolísticos (ainda que Teolinda Joaquina - o seu nome de nascença - rivalizasse com um qualquer Rúben Micael deste Mundo), mas decidimos incluir a mademoiselle luso-francesa nestas infames desventuras do casamento melódico-cautchú.















Em 1987 (3 anos antes do nascimento do messias Jonathan Matías Urretavizcaya da Luz) vivia-se a loucura gerada em torno do genial astro argentino Diego Armando. Sendo uma astuta mulher de negócios, Teolinda decidiu elaborar uma receita que a levaria a patamares até então só ocupados por Amália Rodrigues. Era certinho: pegar na fama galopante da hiperactiva cantora de voz cristalina e adicionar-lhe o renome e proveito do melhor futebolista do Mundo.
Hm. Se calhar não era assim tão certo. O resultado final foi uma amálgama sonora tão estrambólica e desconfortável quanto um romântico beijo entre a Zita Seabra e o Vital Moreira num congresso do Partido Comunista.

Porém, Teolinda, com a sagacidade e tenacidade que a caracterizavam, não se deu por derrotada. Planeou cuidadosamente o regresso à ribalta, num cirúrgico remake que iria fazer o seu primeiro "casamento" com o esférico cair no esquecimento. No ano da graça de 1994, a chanteuse faria o seu retumbante retour às costas de um insigne joueur de foot, e obter a sua révanche perante o público luso-francês. Para tal, a nossa Suza decidiu seleccionar um indivíduo que fosse representativo de características comuns à própria baladeira e ao 10 argentino:
Rui Esteves.

Descrito por mais do que uma vez como um "Maradona contrafeito", este loiro elfo dos relvados carregaria a sua valise en carton por 11 clubes ao longo da sua carreira como profissional, cotando-se como um emigrante de luxo em Países como Inglaterra, Coreia, Allgarve e China, bem à imagem da cantatrice que o tomou como Musa.

Infelizmente, esta parceria correu tão bem quanto a primeira, arrastando Teolinda de Suza para uma precoce decadência e precipitando o final de sua carreira como a Tony Carreira feminina. Esteves, que destrocava futebol a alto nível no Sado antes desta aventura extra-futebol, recebeu o mais letal beijo da morte que um futebolista poderia almejar: uma transferência para o Benfica de Artur Jorge.

Não foi, com toda a certeza, o final feliz que todos desejariam, mas de uma coisa podemos ter a certeza. O vencedor não foi a música.

Iremos postar mais álbuns de referência musical-futeboleira em breve. Stay tuned.

domingo, maio 10, 2009

Sábias Palavras

Há médios que são comparados ao Maradona. E depois há médios que são comparados a electrodomésticos. Por exemplo, um micro-ondas. Hã, Dill, que tal? Os camones falavam muito dele. “Do we have a deal?”, perguntavam-lhe, “Yes, you have a Dill”, respondia-lhes de pronto. Dill é aquele tipo de pessoas que não vos deixará ficar mal.
Moses, ou a gana do monstro do Gana. Um paquiderme destrambelhado na área. Se não são atropelados pela força, são devastados pelo terror. Não há tempo para preliminares, é entrar a rebentar. O acto mais carinhoso que Moses conhece é oferecer uma gazela decepada ao treinador-adjunto. Não, não é um comboio sem travão – é Moses, a besta de carvão.
Há tudo. Faz tudo. Você quer? Orestes tem. Você precisa? Orestes diz que sim. Não há meios para os fins. Canela, bola, cotovelo, apalpão, é o que estiver à mão. Com licença. Sem licença. Serviço eficiente e personalizado que nem sequer passa recibo verde. “Multifuncional”, é o que é. Não confundir com “disfuncional”, por favor.
La Paglia é um ser lactente. Um mamão inveterado que transportou esta característica para dentro do campo, comportando-se a preceito: à mama, chorando pela bola, encharcando as fraldas ao primeiro toque, cercado no seu pequeno berço por uma míriade de adversários. La Paglia era um tipo no mínimo curioso. Um talento que andou aos gugu-dadás, com medo do escuro. E este é o pedaço de trivia que faltava a Gabriel Alves.

sábado, maio 02, 2009

Peña Fidel

Penafiel, 1989. A equipa da terra dos irmãos Oliveira fulgurava na Iª Divisão com os seus equipamentos rubro-negros patrocinados pelos pneus Continental. Um patrocínio ajustado: com efeito, as estrelas penafidelenses dessa época provinham dos mais variados continentes, inspiraram gerações de amantes do futebol por todos os continentes e faziam as compras no então novel Continente (obtendo sucessivos descontos em cartão).

Bio, da África Ocidental, era o esteio defensivo que iluminava todo o espaço desde a sua baliza até ao meio-campo, uma zona designada por Biosfera. O seu manancial de cortes e antecipações era tão alargado que até se inventou um termo para as soluções defensivas propiciadas por Bio: a Biodiversidade. Deixou uma legião de seguidores no Estádio 25 de Abril, que constituíram uma vertente da ciência especificamente dedicada ao estudo das suas qualidades defensivas: a Biologia. Foi percursor das Biografias, antologias relativas a personalidades marcantes. E quando se afastou do seu apogeu, entrou na era Biodegradável.

Nilson, por seu turno, tinha um aspecto asiático, mas na verdade era brasileiro. Era defesa, mas a caderneta pensava que era avançado. Ou seja, Nilson confundiu quem estava à sua volta, menos o seu treinador, que amiúde, e para não correr riscos, deixava-o no banco. Viveu à sombra de Bio e das suas próprias orelhas, que o dispensavam de usar qualquer sombrero nas tardes de maior canícula. Possuía uma dentição própria de quem subiu a pulso na vida, mascando cartilagens de animais amazónicos e canas-de-açúcar ao pequeno-almoço.

Na intermediária, o brasileiríssimo Zinho emprestava uma qualidade gourmet ao jogo directo dos penafidelenses. Ele fazia tudo com muito requinte. Zinho não despachava balões em profundidade, fazia passeZinhos recheados de mel. Não corria quilómetros, corria apenas um bocaditoZinho, o suficiente para recuperar a bola apenas com um esforçoZinho. O jogo de Zinho desenvolvia-se num pequeno espaçoZinho e ele gostava de cobrar livreZinhos directos com efeitos de folhas secaZinhas. Tão secaZinhas que os guarda-redes contrários facilmente adivinhavam onde cairia o esférico. “PobreZinho”, desesperavam os adeptos.

Na frente, o furacão paraguaio Amâncio. Amâncio era veneno para as defesas contrárias e um verdadeiro patife da área, algo que, aliás, deriva do seu cabelo decalcado do Átila do "Duarte & Companhia" (no link, podem ver Amâncio e o seu camarada de armas Borges). Amâncio aprendeu a ser letal com os seus parentes índios mas nunca fumou cachimbos da paz. Não; Amâncio estava sempre pelejando contra as defensivas oponentes e coleccionou vários assaltos aos autocarros e comboios que se estacionavam junto às grandes áreas adversárias. Abanou redes por todo o país e muitos ofereceram recompensas para o travar, morto ou vivo, mas sempre em vão.

Por falar em “vão”, eis Djão, moçambicano com cartel em Portugal durante os anos 80. Djão era o vinagre que temperava as belas saladas de Amâncio, constituindo este par a dupla que mais alimentou a fome de golos duriense. Reclamou para si muitos dos méritos ofensivos do Penafiel de então. Dizia, ufano, “este golo teve os marca dos João”, que era o seu verdadeiro nome. Disse “do João” tantas vezes e com tanta insistência que Djão acabou por se tornar o seu nome de guerra. Djamais visto parado no último terço ofensivo, Djão esteve a um passo de alcançar voos maiores na sua prolífera carreira, mas dizem que provocava mau ambiente nos balneários. Tudo porque, alegadamente, libertava gases fétidos capazes de desmoralizar todo o plantel. Djão desculpava-se: “Os culpa não é meu, os culpa é dos feiDjão que comi ao almoço”.

E por fim, o portuguesíssimo Tó Portela. Tó Portela não acalentava esperanças desmedidas, contentava-se em passear pelo país e em testar os bancos de suplentes aos Domingos. Como se pode ver, Tó Portela dispensava calções; ia logo de calças em direcção ao banco e esperava tranquilamente pelo final do jogo. Quando aquecia era sinal que alguma coisa estava mesmo mal. Em jeito de balanço, Tó Portela sente-se bastante orgulhoso da sua carreira, pois foi-lhe reconhecido o seu jeito único para percorrer os metros que separavam o balneário do banco de suplentes. Protagonizar esta aparentemente simples acção com o savoir-faire de Tó Portela não é para qualquer um.

sábado, abril 25, 2009

III Divisão e Distrital Lisboa - Desculpe, como disse?

Caros leitores,

Eis que está prestes a terminar mais uma época de futebol.
E o que é o futebol?
É um belo desporto que alguns praticam, e outros não deixam praticar.
É um belo desporto em que reinam os bairrismos e os clubismos.
É um belo desporto onde reina tudo ... reina tudo o que é nome. Tudo o que é nome está no futebol.
Immmmpressionante a recolha de nomes que a nossa equipa no terreno foi fazendo nos últimos meses.
E assim, reparem só no plantel que conseguimos fazer de equipas da III Divisão e distrital Lisboa.
Ah, alguns terão direito a post individual !!

GR
Xixa (Pêro Pinheiro)
Panaca (Reguengos)
Seburida (Futebol Benfica)
Tecelão (Cacém)

DEFESAS
Veludo (Cacém)
Forner (Futebol Benfica).. eu disse Forner, ó pessoal!! nada dessas caras..
Kay Nó (Juv. Évora)
Tarzan (Tondela)
Paulo Pina (Caparica) .. ele lá sabe o que faz
Mosca (Tojal)
Tralhão (Cova da Piedade) ... que grande nome para um defesa.. aposto que é Central





















MÉDIOS

Bem (Reguengos)
Balão (Cacém)
Passarão (Bucelas)
Luís Carrega (Castrense)... só se for com a equipa .. ou com a baliza às costas
Salhetas (Castrense) ... desculpe, como disse?!
Paulo Surf (Musgueira) ... deve ser loiro, alto, e leva a prancha para o balneário
Tiririca

AVANÇADOS
Capitão Mor (Fabril)
Sopas (Tocha)
Estanqueiro (Tocha)
Pipi (Silves)... um bom Pipi tem sempre lugar
Cá Sá (Povoense)... e lá o que será?
Pólvora (Linda-a-Velha)
Fixe (Benfica de Castelo Branco)... eu penso, será que algum dia alguém chega longe com este nome? nnnnnnnnnnahhhhhhhh..
Mix (Bucelas)

Esta equipa seria treinada por Nuno Presume (Fabril), coadjuvado por António Remelgado (Coimbrões) e Carlos Rilhas (Pêro Pinheiro).

Em breve , notícias de alguns destes jogadores e dos mijters..
E já sabe, se encontrar por aí algum deles, seja ao vivo, no supermercado, nas obras, ou mesmo num jardim cheio de pombas.. ria-se

Informações Úteis

Não se esqueça:

Um bom café é aquele café deliciosamente temperado com um generoso Torrão de açúcar. Sem um Torrão de açúcar o café não é simplesmente a mesma coisa. E se o Torrão em causa for patrocinado pelos Cafés Delta, sabemos que estamos perante um Torrão de elevada qualidade, capaz de emprestar ao seu café o travo que o fará sentir como um George Clooney dentro de uma loja Nespresso cheia de mulheres.
Siga este nosso conselho todas as manhãs e verá como o seu rendimento diário incrementará a olhos vistos.
E por falar em vistas, o Boavista sabe o que nós queremos dizer com isto do “rendimento incrementado”. Ou melhor, sabia. Agora é mais Mokambo em copo de plástico e sem açúcar, que o orçamento não dá para mais.

A Árvore das Patacas é uma frondosa árvore apetecível pela qualidade dos seus frutos, mas cautela: saiba distinguir as Patacas boas daquelas que são indigestas.
As Patacas podres adquirem um tom acastanhado e enrugado, acumulando-se no chão, junto à base do tronco. Se ingeridas, provocam diarreias, enxaquecas, cruzamentos desmedidos ao segundo poste e lapsos de memória que amiúde previnem de marcar os extremos-esquerdos como deve ser.
Evite estas maleitas e recolha as Patacas boas e sorridentes directamente da árvore.

Se sair à noite, lembre-se das consequências da ingestão de álcool em excesso. As costumeiras figuras tristes que lhe são inerentes são sobejamente conhecidas, mas é possível que um indivíduo perca completamente a sua face e, pior que isso, transfigure-a completamente. Ou seja, o álcool é capaz de transformar um defesa-esquerdo que vai jogando no Sporting num semi-anónimo defesa-central camaronês que um dia hat-trickou contra o Sporting.
Muita moderação, portanto, se quiser evitar surpresas.

Portugal é um país inusitado no qual localidades inteiras podem migrar durante temporadas. Verifique se o seu mapa se encontra devidamente actualizado antes de se fazer à estrada.
Por exemplo, é possível que um Mangualde, que todos pensávamos estar ali perto de Viseu, se tenha mudado de armas e bagagens para Paços de Ferreira, enquanto que o Alhandra, que todos julgávamos emparedado entre a Cimpor e o rio Tejo, poderá ser visto um pouco mais a norte, em Leiria.
Quer dizer, se é que os dezasseis ou dezassete indivíduos que vêem os jogos em Leiria alguma vez notaram pela presença dele. O mais provável é que tivessem aproveitado toda aquela tranquilidade para curar insónias.

quarta-feira, abril 22, 2009

Kill Kill Kill - Doppelgänger MCXVIII

















um bem haja ao leitor castor pela sagaz e astuta observação.
(para ele, um caramelizado fertout)

domingo, abril 19, 2009

Bafode Watch Março


Março, o mês Bafodiano por excelência.
Devido a compromissos da A Team (com Queiroz ao leme de seus muchachos vencedores!! ou talvez não..) e da brilhante Taça da Liga (onde Lucílio Bappppptista mostrou uma vez mais que não há mão nos árbitros portugueses.. e estes fazem o que querem), Março apenas teve 3 jogos para o campeonato.


Bafode exulta , porque quanto menos jogos, menos hipóteses há de dizer, "ei pá, tanto jogo e o Bafode não joga !!"...assim dir-se-à, "o Bafode até é do Carvalho pá. Até joga uns minutos nos poucos minutos que se jogam na II Liga".
E assim foi.

1º jogo - Estoril contra Freamunde, no campo da Amoreira. Que eficácia. Bafode entra em campo aos 72 minutos. Aos 79 scora, marca, finaliza!! É ele! GOOOOOOOOOOOOLO! Bafodeu o Tó Miranda, eterno redes do Freamundas. Aos 79 também, vê amarelo.. quiçá por festejar de uma maneira ... pá, como dizer... do carvalho!!

2º jogo - U. Leiria recebe o Estoril. João Carlos Pereira , eterno miscchter do Nacional 4- FCP 0, deixa a sua pérola no banco. Bafode entra pouco depois do intervalo, aos 58 minutos. Joga por isso 32min! Que recorde do Carvalho! O Estoril ganhava em Leiria 2-1 nessa altura..
mas Bafodeu-se tudo. O Leiria dá a volta e ganha por 4-2. O desespero, o horror, o carvalho..

3º jogo - Estoril recebe Santa Clara. Mais uma vez o Estoril na busca de um bom resultado. 1-1 aos 75 minutos.. eis que entra Bafode. Pois, e qual foi o resultado? 1-2 . Nova derrota do Estoril. Consta que nessa noite o Bafode Dabo Carvalho foi ao Casino do próprio clube estourar o prémio de jogo recebido quando marcou o golo ao Freamunde.

E assim, Bafode é neste momento o 10º jogador da Liga Vitalis que menos demora a marcar um golo. Em cada 155 minutos aí está a bola dentro das redes.. Obrigado Bafode pelo teu Bafo..de Golo.
Sic transit gloria mundi in Estoril Praia imundi.

terça-feira, abril 14, 2009

Voando Sobre Um Ninho De Cucos

Podíamos divertir-nos sem conhecer o João Gabriel? Podíamos. Mas não seria a mesma coisa.” (Luís Freitas Lobo, enquanto temporizava uma transição ofensiva apoiada num pivot que sabe preencher os espaços)

Há, de facto, uma intensidade muito Nicholsiana no olhar de João Gabriel. Ou apenas loucura, dirão alguns. Tudo depende do grau artístico com que olhamos para a personagem.
Parece consensual que Gabriel voa sobre um ninho de cucos, gaivotas e outras aves com uma expressão insana, como que anunciando “Heeeeeere’s Johnny!”. E não é que o tipo se chama mesmo João? Esta é uma coincidência tão marcante quanto um machado espetado numa porta de madeira. É verdade que de cientista e de louco temos todos um pouco, mas o Gabriel parece dosear uma das componentes com um evidente excesso; apostamos que não deve tardar muito para Gabriel começar a correr num labirinto à neve após ter passado uma noite de farra com alguns amigos imaginários.
All work and no play makes Johnny Gabriel a dull boy”. E é verdade. Vejam o aspecto cansado que emana daquela barba por fazer. Beber tanta Carlsberg e proclamar essa funesta façanha aos quatro ventos é capaz de não ter sido uma boa ideia. E estar recorrentemente a ler textos escritos por outras mãos em conferências de imprensa também não – especialmente, quando esses textos contêm tantos erros ortográficos quanto os múltiplos braços de Wagnão e Pedro Silva. Jorge Sampaio pelo menos escrevia sem erros, embora desconhecesse quanto pó podia caber num pneu.
O estilo psicopático de Gabriel propicia a polémica. A Cromos da Bola, SAD recolheu alguns depoimentos que atestam esse frisson gerado pelo lunático Gabriel, o assessor de aspecto mais esquizofrénico do momento. Passemos então a palavra a terceiros, antes que o aparentemente instável Gabriel nos atinja com uma das suas famosas exposições entregues em sede própria:

É um homem dos meus, de barba rija! O meu arroto de saudação para ele! BUUURP!” (Leonor Pinhão, a fazer de conta que lia a Maxmen com uma mão, enquanto coçava a virilha pelo buraco dos jeans com a unha do mindinho da outra mão)

O senhôur Gabriele? Está muito bênhe! Douê os meus bibas a esse graunde bulto da comunicaçõuê!” (Sílvio Cervan, ignorando a presença de Dias Ferreira, mesmo com as dioptrias no máximo)

Graaaur! Grrrrrr!… Auf! Auf! Grrrrrrr!” (Dias Ferreira, babando-se para cima de Sílvio Cervan, apesar do açaime)

Objectivamente, e tendo em conta a sua posição, trata-se de um…” (Guilherme Aguiar, antes de ser interrompido)

Tivemos alguns momentos de efusiva proeminência linguística que muito contribuíram para elevar os patamares do sentimento lusitano, não raras vezes imbuídos por uma bilateralidade afectuosa salutar. Infelizmente, o inexorável respingar secular dos ponteiros sobre o quartzo tornou a nossa quotidiana convivência uma memória longínqua que, não obstante, jamais conseguirei olvidar… snif…” (Jorge Sampaio, abraçado a Manuel Machado, vertendo uma lágrima)

… como o seu treinador Cuíkeh Flores. Objectiva e indiscutivelmente.” (Guilherme Aguiar, depois de ser interrompido).

Vou-me embora! Agora é que é! Vou-me embora! Já chega! Quero lá saber das contas! Ninguém me chama lacaio de ninguém!” (Soares Franco, enquanto levava calduços de empregados do BES numa rodinha lá para os lados do Estoril)

Hãããã… o doutor… hããããããã… como eu dizia… ooooo… hããããããã… doutor… hã? Não ouvi bem… continuando… hããããã…” (Dias da Cunha. Acabou a frase às 3 da manhã. Já lá não estávamos.)

Até quando estive três jogos sem ganhar tinha os dentes mais limpos que esse tipo.” (Jesualdo Ferreira, tentando lembrar-se quem seria o gajo que tinha cabelo de bananeira e que comia amendoins durante o treino – era o Guarín)

Mira, tío; yo no sé quien es Juan Gabriel, pero estoy en una posición muy buena en la poll de esto blog; yo nunca estuve tan cerca de ganar alguna cosa en mi vida, icoño!” (Escalona, visivelmente emocionado perante o que pode ser o ponto mais alto da sua carreira)
(Rui Costa, o Santo Patriarca dos Túneis)

sábado, abril 11, 2009

The G-Spot* Tomo I












Povo da Bola,
é com orgulho e galhardia que vos comunico a descoberta (um Bem-Haja) do caramelizado Twitter de um Senhor que foi uma das inspirações para a génese deste vosso blog: o verboso Príncipe do discurso casuístico, Gabriel Alves.

Para primeira amostra, transcrevo-vos algumas frases e expressões da divindade geométrico-lúdica:

- "Após humilhar o Sporting a dois tempos, Bayern é vulgarizado no Camp Nou. Quem ri por último, ri melhor mas o Sporting, esse, chora."

-"Mesmo frente ao gigante Golias, o mero tocador de harpa pode sonhar. Porto possui artistas e música para embalar a Europa. Haja coragem."













-"Cajuda, a desilusão de um marinheiro com farol à vista incapaz de navegar para bom porto. No mar como no futebol, o seu rumo é a derrota."

-"Piloto a conduzir Briosa à vitoria. Em jogo digno de distrital, Domingos prolonga o jejum de Pacheco esta quaresma. Paciência."

-"Queiroz doma Zulus com beijo de Twala, o Judas Bafana. Entre amigos somam-se conquistas, faz-se a barba, mas não se limpa a imagem pobre."

-"Queiroz brando com alunos. Precisa-se dum Pol Pot ao comando dos Khmer Rouge, não um Kerensky a liderar o proletariado. Espera-se melhor."

-"Volvidos quatro dias, a final da Taça da Liga continua a jogar-se fora das arestas que definem o quadrângulo mágico do futebol. Uma pena."

-"
A liga inglesa continua imparável. Emoção, espectáculo, a incerteza do resultado, um público afável com cantares simpáticos. Isto é futebol.

Prometemos estar atentos no futuro, garimpando o Twitter do Monarca da Prosa do Couro em busca de novas actualizações.

The G-Spot will be back.

* twitter de gabriel alves, um simples amante da geometria desportiva

domingo, abril 05, 2009

New Old School

Hoje proponho que nos mantenhamos na senda da Old School, mais propriamente na New School, que apesar de não ser Old, é New, porém cheira sobretudo a Old. Isto apesar de ser - e não ser - New.

Passo a desenvolver: Feliciano, o abono de família de Vizela (na verdade não será mais que o Rendimento Mínimo Garantido), é um jovem. Vinte e sete anos de idade, já com uma bonita história para contar, mas ainda com uma longa vida profissional pela frente. Uma espécie de Rui Barros dos pobres, o diminuto natural de Cabeceiras de Basto extermina as linhas defensivas da Vitalis League há três anos ininterruptos, estando a construir um legado similar ao do lendário Bock, mas em tamanho de bolso. 


A pequena locomotiva é um petiz cheio de sonhos e ambições, com um espírito inquebrantável de quem não consegue chegar à prateleira de cima para tirar uma lata de pêssegos em calda, mas que não se importa de abraçar o doce beijo de um traumatismo craniano para atingir a dita latinha.
Se é verdade que esta atitude pelejadora pode dar um gostinho de Old School ao cocktail cromático, decerto não poderá atribuir-lhe essa característica per si.

Procuremos então mais um ingrediente...
Fácil. A calvície cavalgante.

Nestes negros dias do futebol metrosexual dominado por binómios capilares Miguel-Djaló, camisolinhas tamanho "XS" directamente importadas da Roma de Totti para o amassado cacifo de Simon Vukcevic, ou partilhas de bandoletes entre Nuno Gomes e Moretto, é tarefa impossível encontrar um calciatore desmazelado, que jogue a bola pela bola e não encare o verde tapete como uma passadeira vermelha.

Percepção é realidade, e um Miguel com corte à escovinha e provecto bigode não seria um Miguel assim, um Miguel daqueles Migueis que o Mundo inteiro conhece à base do primeiro nome - Miguel - e que tem a oportunidade de se referir a si próprio na terceira pessoa. Porque um Miguel na terceira pessoa é um Miguel fresquinho, um Miguel arejado, perfumado e um Miguel que não suja o equipamento.
Por outro lado, um Miguel com bigode não seria Miguel: seria um "Filho Daquele Ex-Jogador do Benfica Que Também Tinha Bigode". E indignidade das indignidades, não se poderia referir a si mesmo na terceira pessoa. Teria que utilizar a primeira pessoa, coisa de ralé, de gente pobre, feia, que cheira a cavalo e joga a lateral-esquerdo.

E o que é que o cromo do Feliciano tem a ver com isto, perguntais vós?
O Feliciano é o anti-Miguel.
O Feliciano tem a calvície a bater à porta e convida-a entrar. Pior, bebe uma bejeca com ela enquanto vêem uma vetusta VHS do Baywatch sentados num sofá bege com resguardo.
O Feliciano não se refere ao Feliciano na terceira pessoa. Aliás, o Feliciano não está a par da existência da terceira pessoa. O Feliciano não está sequer a par da existência da gramática.
"Gramática? Não sei o que é, mas cheira-me a paneleirice.", diz ele.
O Feliciano cheira mal.
O Feliciano gosta de cheirar mal.
O Feliciano não faz a barba.
"Fazer a barba? Não sei o que é, mas cheira-me a paneleirice.", diz ele.
O Feliciano não sorri para a fotografia. Aliás, Feliciano só sorri em duas ocasiões: quando expele gás pelo ânus e no final de uma visita satisfatória ao pinhal. Ao pinhal, porque "urinóis são para paneleiros", diz ele.

O Feliciano tem 1,70m e gosta. Não utiliza truques de vestuário para parecer mais alto. Não calça sapatilhas com amortecedores ou botinha com sola de 50 cm. Só usa chinelo.
"Calçado é para paneleiros. Homem que é homem usa chinelo de borracha com meia branca."

O Feliciano não festeja golos.
"Demonstrações públicas de felicidade são para paneleiros.", diz ele.


O Feliciano joga com o mesmo equipamento desde que saiu do Cabeceirense, em 2004.
"Lavar coisas é sinal de fraqueza. Desperdício. Eu lavo o equipamento com o suor que me sai do corpo. Quem gosta de água é paneleiro."

Feliciano é New, mas despreza a New School. Feliciano não é Old, mas a Old School é Feliciano.
E nós, no Cromos da Bola, SAD, gostamos do Feliciano. Por muito paneleiro que isso possa parecer.

Terroristas Disfarçados

Este registo fotográfico é deveras surpreendente. Diríamos mesmo que chega a ser embaraçoso, atendendo às nódoas negras que preenchem o currículo escrito a sangue destes quatro terroristas do futebol português.
O que fez então com que estas máquinas de destruição em movimento dessem as mãos como se estivessem no jardim da Celeste, prontos a saltitar numa rodinha enquanto entoavam o “giroflé-giroflá”?
Estaria a ser formada uma união sindical de matadores em pleno relvado?
Seria um programa de promoção ao filme "Street Fighter"?
Pura manobra de diversão?
Talvez um pouco de tudo. Antes deste V. GuimarãesF.C. Porto de 1995 tinham ocorrido incidentes entre adeptos fora do estádio, um pouco à imagem do que estes carniceiros faziam dentro de campo. Ou seja, uma mistura entre boxe e luta livre onde valeu tudo, excepto golpes legais. Foi o célebre episódio da Anabela, uma extrovertida menina da Ribeira que fez questão de mostrar ao mundo o orgulho que sentia da sua zona pélvica, perante a escolta complacente dos polícias.

Os nervos estavam em franja. Paulinho Santos, quiçá o mais implacável de todos os jogadores que escaparam por qualquer motivo a uma extraordinária carreira nos Comandos, salivava como um pitbull espicaçado, excitado pela perspectiva de sangue.
- Vamos a eles, carago! Vou rebentar as trombas do Vorkapic com um rotativo à meia-volta! E o Pedro Barbosa vai desejar nunca ter saído da croissanteria! – espumava Paulinho de dentes cerrados, equipando-se com soqueiras, pontiagudos alfinetes de 16mm e granadas de fragmentação.
João Pinto, mais discreto, sabia todo o bê-á-bá das cuspidelas e das rasteiras matreiras de trás para a frente, sendo uma autoridade internacional devidamente credenciada neste domínio. Raramente falhava um carrinho a pés juntos. Estava sempre a par de todas as inovações do jogo sujo e planeava fazer um mestrado em Minas e Armadilhas Ao Primeiro Poste, estagiando junto da ETA e do IRA. Já tinha agarrado o seu bisturi e preparava-se para esfrangalhar cirurgicamente os nervos de qualquer Dane que lhe aparecesse à ilharga.
Do outro lado do balneário, Tanta pintava a cara como se estivesse no filme “O Predador” (o primeiro deles, claro). Olhos fixos no inimigo, apontava o dedo a Latapy e sussurrava-lhe “tu de hoje não passas”, jurando-lhe vingança por qualquer coisa não identificada. Autêntico talhante sem piedade, Tanta podia cortar ossos apenas com o uso das mãos e dentes. Tanta actuava dentro do relvado como se estivesse numa guerrilha pela independência de um país qualquer da América Latina.
Ao seu lado, Matias. Matias era uma espécie de patife da taberna, que em vez de limpar o vinho do bigode limpava sangue. Entre uma mini e uma travessa de moelas, Matias acumulava pequenos crimes, uma ou outra esfaqueadela com o canivete, um ou outro corta-unhas espetado nas zonas baixas dos oponentes. Matias espalhava o terror junto à meia-lua e não se coibia de roubar doces às crianças, se sentisse que isso seria um bom complemento aos seus torresmos. Estava pronto para fazer perder a Paciência ao Domingos e indicou esse desejo ao soltar um traque sonoro e nauseabundo à entrada das quatro linhas.

Porém, a ideia dos dirigentes era outra: havia que apaziguar os ânimos, dar uma imagem de moralização. E então surgiu a ideia de mascarar estes perigosos meliantes dos relvados de meninos da pré-primária.
- Eh pá, que mariquice, carago! Posso ao menos beliscar os braços deles? – desabafou Paulinho.
- Vou agarrar-lhes as mãos com tanta força que os tipos vão ficar sem poder tocar piano o resto da vida! – avisou João Pinto.
- Ué? Prometji qui não tenho qui cantá? É qui eu sô muito mau a cantá o “Atchirêi o Pau Ao Gato”… – soltou o perplexo Tanta, totalmente aturdido com a sugestão.
- Para mim tudo bem. Eu vou logo para o coito e não me apanham! – disse Matias, para quem as traquinices nunca eram demais.

E lá foram eles, talvez para o mais humilhante retrato público das suas violentas carreiras. A imagem que ficou na memória do público foi aquela lá de cima, mas a imagem que eles queriam que o público retivesse era esta aqui de baixo:

quarta-feira, abril 01, 2009

Palavras Para Quê?

Não há muito a dizer sobre Rodolfo Rodriguez (com “z”, que o gajo não é meu primo – ufa!). É até muito sensato não o fazer, sob pena dele vir atrás de nós encabeçando um grupo de mariachis assassinos.

O uruguaio que foi ídolo no Brasil e que passeou o seu golpe de vista pelo Campo Grande.

Perdeu o lugar para o quarentão Damas. Por causa da experiência.
Perdeu o lugar para o jovem Rui Correia. Por causa dos reflexos.
Perdeu o lugar para o elástico Vital. Porque sim.

Assumiu que tinha cara feia e que não tinha culpa disso.
Foi esta a sua grande defesa.

Isto é pura “old school”. Um cromo a 100%. Um bigode a 200%.

sexta-feira, março 27, 2009

Cara de Campeão, Jogo de Canastrão

Lisboa, Agosto de 1996.

Jamir: "E o Benfica vai ser campeão!"
Donizete: "E o Benfica tem cara de campeão!"

É certo que os brasileiros nunca foram grande coisa a prever o futuro, ou não tivesse o então petiz Kaká estado a aquecer o banco para Léo "Gascoigne Carioca" Lima nas camadas jovens do escrete. Esse sim, era a grande promessa. Esse e o Leandro do Bomfim, símbolo máximo da criatividade extemporânea do futebol feito arte plástica espelhada no quadro da vida.

Porém, estes dois mamíferos exageraram.

Tudo bem, a pré-época é a primavera da vida. Um mês antes do esférico rolar comme il faut, todos os sonhos são permitidos, todo o Escalona é Roberto Carlos, todo o Bossio é Oliver Kahn, e todo o Benfica é pré-campeão. Pelo menos para o diário "A Bola".

Mas em 1996/1997? Uma equipa cujo esteio defensivo dava pelo nome de Jorge "Own Goal" Bermúdez, cujo centrocampista nuclear era um cinquentão Valdo, bem secundado por Nica Basarab e José Calado, que serviam perfumadas trufas numa bandeja de ouro a Hassan Nader, Fabrice Alcebíade Maieco e ao mortífero carteiro sem aviso de recepção, Martin, o Pringle? Esse Benfica?

OK, Jamir. Seja feita a tua vontade.
E daí, talvez não.
O clube do jovem Jamir acabaria o campeonato a 27 pontos do campeão, nada menos que uma equipa que contava com nomes do calibre de Andrzej "Popeye" Wozniak, Lars "Not Ulrich" Eriksson, Silvino "Não Sou" Louro e Henrique "Eu Assisti À Segunda Fase Da Revolução Industrial" Hilário para defender o seu último reduto.

Mas seja feita justiça ao coriáceo centrocampista de Vera Cruz. Diga-se aqui que não terá sido por sua culpa que o Sport Lisboa de seu coração não terá sorvido o cálice da glória do seio do triunfo.
Aos olhos da crítica (que não os do Coveiro Amaral, sempre discordantes entre si) Jamir foi um dos raios de luz que aqueceram o longo e gélido inverno lisboeta de 96/97. Brilhante na forma esquemática como interpretava a táctica do pirilau, emprestando-lhe uma passividade dotada de inteligência emocional ao mais alto nível.


Sejamos francos: será a passividade ofensiva um crime de lés-a-águia, quando nas asas de um condor o sonho desliza impotente, sem Rei nem Hélio Roque, sem Ilian Iliev ou pedra de toque?
Será a não-participação nas tarefas defensivas punível com a guilhotina dos críticos, ou será apenas uma mera descarga de esgoto num outrora límpido lago, somente inquinado em dias ímpares por Hélderes holandeses de nome Glenn?

Será a falta de talento condenável com pena capital, ou será uma mera fatalidade semelhante a uma lesão muscular do Hugo Leal?

Questões que ficam por responder, tal como Paulo Autuori ainda espera tranquilamente que Jamir responda de primeira a um cruzamento de Donizete vindo da direita. Porque uma vez pé-canhão, sempre pé-canhão.

terça-feira, março 24, 2009

Edinho Na Selecção!

Finalmente, o reconhecimento: Edinho foi chamado à Selecção!

Já não era sem tempo. Aos 42 anos e ainda a jogar no quase devoluto Farense, depois de ter passado por Olhanense, Portimonense, Chaves (no cromo), Guimarães, Sporting (deu um passôbem ao Paulinho e foi imediatamente retocar a permanente), Bradford, Dunfermline (só para estar perto da destilaria do Johnny Walker), Portimonense – outra vez, U. Lamas, Vizela, Olhanense – outra vez, Portosantense, Juventude de Évora e Campinense, Edinho recebeu o merecido prémio-carreira e estará na Selecção de todos nós.
… de “todos nós”, no sentido de sermos mesmo todos, desde portugueses a brasileiros, passando por ucranianos, togolesas com enormes espaços entre os dentes, esquimós e o Ronny; é mesmo a Selecção mais abrangente que possam imaginar e se o vosso cão tiver jeito para a bola, mesmo que seja um pastor alemão… não percam tempo e tragam-no a um treino de captação, OK? Depois alteramos o pedigree e ele fica logo seleccionável. Não se preocupem.

Agora sim, com Edinho estão reunidas as condições para atacarmos a qualificação em peso. E quando falamos de Edinho e de peso na mesma frase não o fazemos de forma inocente. Sim, porque Edinho, essa máquina de golos com sotaque sopinha de massa, continua em forma e não dispensa um belo cachorro quente a transbordar de maionese e mostarda em cada 15 minutos do jogo. Isto é, Edinho mantém, aos 42 anos, uma forma física invejável capaz de corar qualquer uma das bochechas do Pedro Morcela.

Pode já não ter a sagacidade dos velhos tempos, nem os rui-sânticos caracóis que lhe decoravam a sua jovem face, mas certamente que o seu histórico poder de fogo despertou em Carlos Queirós uma nostalgia inquebrantável que o fez constatar: “Isto só lá vai com o Edinho, o torpedeiro de Chaves. Ele vai ser o nosso homem”.
Agostinho Oliveira, também ele dotado de uma bela composição capilar, a(d)juntou “de Chaves e de mais uma catrefada de sítios, pá” e Queirós ficou sem dúvidas “Ena pá, é isso mesmo, o nosso pequeno bombardeiro identifica-se muito mais com o país real do que por exemplo… eu mesmo!”. E estava selada a surpresa.

Contudo, a verdade veiculada pela imprensa dá conta dessa surpresa, mas envolvendo outro Edinho. A Cromos da Bola, SAD, explica o que se passou. Edinho estava a recuperar energias após um treino geriátrico sem bola numa piscina cheia de banha de porco quando recebeu a chamada do Professor Queirós. “Blá-blá-blá… crise de avançados… blá-blá-blá… falta de carisma e experiência… blá-blá-blá… estás convocado!”. Edinho até se engasgou com um frasco de manteiga de amendoim: “Como é meizmo? Você tá convocando eu prá jogá por Porrtugáu?
- É isso mesmo, pequeno Eduardo. Tu serás a nossa arma secreta!
Mas Edinho mostrou-se irredutível:
- Dji jeito nénhum! Estou muito lêgáu aqui no Eispórtjingui Farensi, não tô prá enchê o sácu com êssis caras aí, pô! Aléim du mais, já tô comprometchido com a sêlêção do Rwanda. Ou do Burkina-Faso. Não sei bem, mais vô sê o Roger Milla dus caras e vô jogá lá assim qui fizé os 45 ânu, tá entendendu?
Dito isto, Edinho desligou com um desprezo só possível a quem já marcou golos de cabeça mesmo não tendo 150 centímetros de altura.
Queirós encarou a nega com tranquilidade.
- E agora, pá, e agora?!? Este anão goleador era a minha última esperança! Que vou eu fazer? O Moreira de Sá disse que não, não percebi o que o Serifo disse, o Paulo Alves não me disse nada… e agora que até já tínhamos revelado o nome à imprensa e tudo… que se lixe, vou já tomar a cápsula de cianeto!
Mas Agostinho foi a tempo de evitar males maiores.
- Eh pá, ó Carlos, a gente arranja aí um Edinho qualquer e ficas bem na fotografia. Vais ver.

E pronto, lá arranjaram um Edinho qualquer na Grécia, um português nem bem de gema, nem bem de clara, mas ainda assim um tipo que pode atrapalhar os suecos, quanto mais não seja por ter escapado ao relatório dos seus olheiros.
Apesar de tudo, uma coisa não conseguirão mascarar: esta convocatória era para este Edinho.
Aliás, na nossa memória só existe este Edinho. E ele já ocupa demasiado espaço para poder caber outro Edinho.

segunda-feira, março 23, 2009

Patologias e Talentos Escondidos

















Sempre em cima do acontecimento, Cromos da Bola, SAD descobriu o passado do reguila lateral direito sportinguista, reputado craque em modalidades que nada têm a ver com o nosso amado cautchú.

Realçamos a cândida e piedosa decisão do Comité Olímpico, que permitiu a Pedro Silva tomar parte dos Jogos, apesar da sua anomalia física, causada pela patologia taçaligusbenfikose multiplae, que já atingira o ex-estrelista Wagnão, como documentado neste blog em Setembro de 2007.

segunda-feira, março 16, 2009

Pollga? He's back!


Hoje falamos de regressos. Não propriamente do D. Sebastião ucraniano, Kandaurov, mas das sempre aguardadas Pollgas, verdadeiras traves mestras deste humilde e sempre kassumoviano blog.
Sem mais delongas, auto-golos, escorreganços à saída da pequena área e falhas de marcação, passamos a apresentar a mais recente Pollga do excelso blog.

Tal como Carlos Queiróz, Enrique Flores, Robert Redford, Paulo Bento, Alberto Pazos, Coelho da Páscoa e Jesualdo Ferreira, nós queremos um lateral esquerdo.

Quem?

Escalona, Nito, Kasongo, Rojas, Minto, Pesaresi, Balajic, Lino, Ezequias, Will Quevedo, Lila, Marian Had, Ronny, Mareque, Abazaj, Quim Berto, Diogo Luís, Paulo Banha Torres, El Hadrioui, Leonel, Vlk, Nelo, Briguel, Caetano, Sepsi, Erivan, Areias, Pedro Henriques, Rubens Jr., Vujacic, Pedrosa, Bruno Basto, Kenedy, Tito, Rogério Matias, Milhazes, Rabarivony, Bajcetic, Leandro, Eusébio ou Margarido?...

Não sabemos. Mas contamos convosco para seleccionar 10 homens apenas desta mixórdia de nomes inaptos, heteróclitos, esdrúxulos, lânguidos e alqubrados - e no caso de Vlk, sem vogais - em breve trecho.

Deixamo-vos também com o estado de coisas do nosso "11 Cromos da Bola, SAD".

May God(eméche) be With You.


clickar nas imagens para ampliar

sábado, março 14, 2009

Bafode o Fevereiro todo


O mês começou com uma vitória sobre o Olhanense de Guga Rasta Man, Jorge Costa Bicho Man, Rui Baião Man, e Djalmir goleador man. Grande vitória sobre o 1º classificado... mas Bafode não foi usado, utilizado, minutizado ou mesmo que fosse um pequeno bafo de bola.

Jogo seguinte, há que ir ao centro do país à terra da Oliveira do Azeméis, onde se liam cartazes na bancada como : "Aqui em Azeméis o Bafode vai andar ao papéis". O público exultava, exaltava e saltava.. e eis que surge Bafode Dabo do Carvalho aos 68 minutos (Obrigado João Carlos Pereira por pores a jogar o nosso menino) em campo. e nesm 10 minutos depois, Bafode rompe e acaba com o jogo.. é goooooooooooooooooooooooooooolo !!!! bafodendo o jogo todo e a equipa da casa que se tentava segurar na II Liga. 75 minutos, 1º golo de Bafode na Liga mais Bafodida de todas. 76 minutos, o nosso Watchado Dabo recebe amarelo. Portanto, pode-se dizer que Bafode em 20 minutos participou em praticamente todas os items das estatísticas oficiais e rascunhos dos jornalistas presentes. O dia foi de "Bafode, o homem com que nem Oliveira de Azeméis pode".

Jogo seguinte, em casa. O regresso do herói, o Suuuuuuuuuuuper-Bafooooooooooooooooode. Contra o Feirense, candidado e concorrente do Estoril-Praia (como é que um clube de futebol de relvaa se chama Praia?! É como se um clube de praia se chamasse "Nazaré-Relva".. mas enfim)

João Carlos Pereira decide guardar a bomba no banco.. e esta só explodiu aos 76 minutos, quando entrou em campo. Desta vez, talvez por timidez e pressão do público que empunhava cartazes como "Bafode, mostra lá quem é que pode", o nosso Dabo nada fez de relevante.

Triste, só, não reconhecido, partiu para mais uma semana dolorosa com perguntas na sua mente como "Misté João Cálos Peréira, porque não me poes a jogar aqui na Amoreira?"

Inconfundíveis rimas made in Guiné Bissau. Triste, só e não reconhecido, Bafode partiu no fim de semana com a sua equipa para o jogo em Aveiro. Beira-MAR contra Estoril-PRAIA. Uma espécie de derby salgado, derby Olá, derby veraneante. Aliás, soubemos por fontes próximas da capitania de Aveiro que vários barcos da Guiné atracaram no Porto de Aveiro (como é que Aveiro pode ter um Porto? É como Pampilhosa ter um Guimarães.. não cabe!!) Este jogo está para o futebol como o Paulo Bento está para o Sporting. Fresco, emotivo, dividido (no couro cabeludo é bem notório), explosivo, nervoso, Veloso, zeloso e no fundo.. Falhado.

por isso, Bafode Dabo do Carvalho não saiu do Banco e o Estoril-Praia perdeu.. Pimba!! toma lá!! 3-1 contra o Beira-MAR.

Sera Março o Mês de Bafode?? Não percam os próximos episódios após compromissos publicitários.. de talvez... 2 semanas :)
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